Entrevista a João Castro: vitiligo desde os 6 anos de idade

O nosso leitor João Castro de Almeida Santos tem 30 anos de idade, é casado e pai de duas lindas crianças. Aos seis anos ingressou na escola pública duma conhecida cidade de interior, no sul de Portugal. A transição do calmo, bucólico e protegido ambiente familiar em que até aí tinha vivido para a sua nova escola, predominantemente povoada por criança de etnia cigana oriundas de bairros urbanos socialmente conflituosos, provocou uma forte situação de estresse ao João Castro, tendo desenvolvido vitiligo nessa altura.

O João conseguiu travar totalmente a progressão desta doença dermatológica, tendo conseguido uma notória melhoria em algumas das zonas afetadas.

Publicamos aqui a entrevista realizada por telefone, no dia 30 de Maio de 2013:

Boa noite amigo João. Obrigado por ter concedido esta entrevista, que será a primeira de diversas outras que publicaremos.

Boa noite. Eu é que agradeço a oportunidade com que me estais presenteando, em ter a possibilidade de relatar o meu caso. Obrigado, bem-haja!

João Castro, você tem vitiligo desde bastante novo. Normalmente, uma predisposição genética é fundamental para desenvolver o problema. Você tem conhecimento de algum parente chegado seu que também tenha desenvolvido vitiligo?

Sim. Parece que o meu avô paterno também desenvolveu esta doença. Nunca o conheci nem tive acesso a nenhuma fotografia em que fosse nítido o processo de despigmentação. Parece que no final da sua vida, aos 65 anos, tinha mais de 50% do corpo afetado.

Mas no seu caso, além de conhecer a predisposição genética, você conhece a causa que fez despoletar a situação.

Sim. Na altura em que apareceram as primeiras zonas despigmentadas eu estava vivendo uma época de tremendo estresse psicológico. Foi durante o primeiro ano da escola primária (escola básica), tinha eu seis anos de idade. Até aí tinha vivido com a minha família, num ambiente super-protegido, isolados no campo, vivendo uma vida natural e alternativa, sem energia eléctrica, televisão, vídeo-consolas, etc. Mas naquele ano em que entrei para a escola pública, tudo mudou. mais de 60% dos alunos dessa escola eram oriundos de bairros conflituosos, de etnia cigana… aquele primeiro ano foi um verdadeiro pesadelo.

Foi então que a vitiligo se manifestou…

Sim, foi durante essa época. Um dia, a minha mãe reparou que algumas manchas tinham aparecido na minha pele. Ficou muito assustada, mas quando o meu pai chegou à noite do trabalho rapidamente reconheceu as manchas que já tinha visto no corpo do seu pai, meu avô. Fomos ao médico, que nos confirmou: estava desenvolvendo vitiligo.

Que foi que fizeram?

Naquela altura, nada. Os meus pais marcaram-me uma consulta médica de especialidade com um dermatologista, que após muitas perguntas, sugeriu e aconselhou os meus pais a controlarem a situação de estresse que eu estava vivendo.

Mudei de escola e, com a ajuda de uma psicóloga, passei a ser extremamente cuidadoso em não me permitir a entrada em situações de estresse.

O dermatologista também me receitou a típica pomada à base de corticosteroides tópicos, para prevenir a inflamação da pele.

Dez anos mais tarde, quando tinha dezasseis anos deixei de aplicar o creme e de me preocupar com evitar o estresse. Também comecei a fumar, a beber com os amigos e a levar um estilo de vida cada vez menos saudável, até aos 22 anos, altura em que tive que voltar novamente ao médico dermatologista, pois as pequena manchas nas costas tinham-se desenvolvido, sendo a área afetada, agora, muito mais vasta. Até nas minhas mãos eram visíveis áreas com manchas de pele despigmentadas.

O dermatologista receitou-me o mesmo tipo de pomada que já me tinha sido receitada dez anos atrás. Também me aconselhou uma mudança radical no estilo de vida e aconselhou-me a leitura do livro “Vitiligo: Understanding the Loss of Skin Colour”, de Marion Lesage.

Deixei de fumar e de beber, passei a ter extremo cuidado com a alimentação, escolhendo uma alimentação natural, rica e variada, evitando alimentos processados e o excesso de consumo de carne. Também comecei a praticar natação e Tai-Chi-Chuan, uma mistura de Ioga e Arte Marcial chinesa, muito eficaz no combate e controle do estresse emocional.

Sob controle e orientação de um médico especialista em medicina natural passei a aplicar topicamente óleos e cremes cosméticos à base de plantas e outros produtos naturais.

Verificou resultados? Curou-se da Vitiligo?

Logo nos primeiros meses após ter iniciado este tipo de tratamento, verifiquei resultados; as áreas afetadas pararam de aumentar… estabilizaram. Hoje em dia posso afirmar que tenho a vitiligo em recessão. Disseram-me que a vitiligo não tinha cura, que a tendência seria para aumentar, mas eu já tive uma maior área de pele despigmentada do que tenho agora… Tudo isso porque decidi escolher uma alternativa natural de cura.

Então afinal vitiligo tem cura?

Sim é possível travar, tratar e até curar o vitiligo.

Obrigado, João Castro. Esperamos que o seu relato e experiência seja útil e ajude aqueles de nós que nos queremos curar da vitiligo.

De nada. Oxalá a minha história possa servir de farol a todos aqueles que buscam a solução para este problema.

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One Response to “Entrevista a João Castro: vitiligo desde os 6 anos de idade”

  1. raulian disse:

    Boa noite a todos, sou raulian tenho 26anos. Queria conta minha história. .Quando tinha 12 anos meus pais se separaram e sofri muito, estress e etc. No entanto possuia um sinal pretinho no ombro e com meu nervosismo mordia ele. Por fazer isso causa ficando roxo e inflamando..nisso quando voltou ao normal minha pele ficou com uma bolinha branca no local no sinal e ele desapareceu.
    Fomos ao médico o mesmo disse que por causa da lesão que fiz apareceu vitiligo em mim.
    Fiquei triste fiz um tratamento mais sem sucesso.
    E com 15 anos preferir continuar minha vida sem nenhum tratamento.
    Hoje tenho 26 anos, e nesses novos anos não peguei muito sol e meu vitiligo começou a voltar ao normal.
    Fiquei muito feliz…mais este ano fiquei de férias e fiquei exposto ao sol nas praias e estou com medo de regredir ao que estava antes. Tenho algum perigo disso acontecer?

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